A ogiva assassina encontra o alvo: a têmpora do andarilho que, ensanguentado, imediatamente tomba. Seu corpo cai inerte, paralisando a audiência ali presente, horrorizada diante da cena dantesca. Duas ou três preces são murmuradas pelo público, um apelo à simbólica ou conveniente misericórdia dessas horas, talvez motivada pela secreta esperança de que tal gesto seja lembrando pelos céus, no momento do Juízo Final. Se é que os céus têm memória para lembrar, ouvidos para ouvir ou mesmo olhos para ver, já que o mundo real, em sua admirável eloquência, insiste em nos afirmar o contrário. Consternação efêmera. Logo todos retomam suas vidas, voltando a cultivar aquele incurável vício humano: a secular insistência de tentar evitar a tragédia certa.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Bala perdida
A ogiva assassina encontra o alvo: a têmpora do andarilho que, ensanguentado, imediatamente tomba. Seu corpo cai inerte, paralisando a audiência ali presente, horrorizada diante da cena dantesca. Duas ou três preces são murmuradas pelo público, um apelo à simbólica ou conveniente misericórdia dessas horas, talvez motivada pela secreta esperança de que tal gesto seja lembrando pelos céus, no momento do Juízo Final. Se é que os céus têm memória para lembrar, ouvidos para ouvir ou mesmo olhos para ver, já que o mundo real, em sua admirável eloquência, insiste em nos afirmar o contrário. Consternação efêmera. Logo todos retomam suas vidas, voltando a cultivar aquele incurável vício humano: a secular insistência de tentar evitar a tragédia certa.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
A reeleição de Barack Obama e os exemplos a serem seguidos
Porém, não tenho dúvidas que Barack Obama é bem melhor e bem menos nocivo, do que um troglodita de extrema-direita. Em princípio, existe da parte de seu partido, Democrata, uma visão mais civilizada sobre questões como a do aborto, união homo-afetiva etc, algumas (embora cada vez menores) preocupações com políticas sociais, um respeito maior pelo Estado laico e pelas bandeiras de algumas minorias que, em geral, são duramente marginalizadas num governo republicano. No entanto, olhando para o que foi sua política externa, não vejo muita diferença entre seu governo e o que se esperaria de um governo republicano. O apoio a golpes (Honduras, Paraguai etc), sabotagens, agressões e intervenções militares como a da Líbia; a recusa em aceitar o legítimo direito dos palestinos de ter um Estado próprio; a leniência com os crimes de guerra e graves violações de direitos humanos cometidos por Israel contra os palestinos na Faixa de Gaza e Cisjordânia; a "justificativa" do sacrifício de centenas de civis inocentes no Afeganistão e no Iraque com base na paranóica "guerra ao terror"; a manutenção do estúpido e anacrônico embargo a Cuba e do centro de tortura de Guantánamo (que ele havia prometido fechar caso eleito, em 2008, mas não cumpriu); a escalada rumo a mais uma guerra estúpida, dessa vez contra o Irã e, no âmbito interno, a vassalagem diante do capital financeiro e das bestas-fera de Wall Street que, mesmo sendo os grandes responsáveis pela crise de 2008, foram (vários destes) premiados por suas "façanhas" com cargos importantes no governo Obama. Estes são elementos que não nos autorizam diferenciar sensivelmente, nestes aspectos, Barack Obama de um republicano.
Para quem ganhou um injustificável Prêmio Nobel da Paz, não pelo que havia feito pela Paz mundial (até então NADA), mas "pelo que era esperado que se fizesse posteriormente" (NADA novamente), o governo Obama nesse sentido foi um desastre ou, no mínimo, uma enorme decepção. Decepção para mim e para várias pessoas que esperavam uma atitude um pouco diferente, mesmo sabendo das peculiaridades e limitações da política norte-americana. Não sou tão otimista, mas torço para que, neste segundo mandato, ele passe a pensar sua política externa como seu correligionário democrata, o ex-presidente Jimmy Carter, este sim, na minha opinião, merecedor do Prêmio Nobel da Paz que recebeu em 2002 e não como seu adversário e ex-presidente republicano, George W. Bush, como vem fazendo nos últimos 4 anos.
Na foto à direita, o ex-presidente americano Jimmy Carter, e seu livro "Palestina: Paz sim. Apartheid não", no qual denuncia as condições bárbaras e desumanas impostas aos palestinos pelos governos de Israel, e a desapropriação de suas terras por colonos judeus. Tal política repressiva tem contado com o decisivo apoio dos recentes governos dos EUA. Carter é um bom exemplo, dentro do partido Democrata que, infelizmente, não tem sido seguido por Obama.
No aspecto econômico, há um outro bom exemplo na história dos EUA, dentro do partido Democrata, no qual Obama poderia se espelhar: o ex-presidente Franklin Delano Roosevelt, o mesmo que disse, após a crise de 1929, que: "está provado que o governo feito pelo Capital organizado, é tão perigoso quando o governo do crime organizado". Enfim, bons exemplos ele tem. E agora também tem outra chance. Sorte a ele.
Na foto à esquerda, o ex-presidente Franklin Roosevelt e o trecho de um discurso seu, proferido no Madison Square Garden, por ocasião das eleições presidenciais de 1936, na qual seria eleito para seu terceiro mandato. Percebe-se aí, claramente, sua disposição em lutar contra os interesses espúrios do capital financeiro, da especulação econômica e dos parasitas de Wall Street. Outro grande exemplo, também entre os democratas, que Obama até agora não seguiu.
sábado, 18 de agosto de 2012
A virada histórica dos russos*
O fato que me ocorreu foi o seguinte: folheando um livro antigo que tenho sobre a 2ª guerra mundial (Fatos e Homens da Segunda Guerra, 2ª Ed.), li nele uma passagem que achei muito interessante. Tratava-se do trecho de um discurso de A. Hitler, em Berlim, em 03 de Outubro de 1941, em que ele vangloriava-se dos resultados positivos do exército nazista na Operação Barbarossa (invasão da União Soviética), que estava em andamento havia cerca de 4 meses. Vociferando e esbanjando uma cega e excessiva confiança no desfecho exitoso da operação, ele diz:
"Declaro hoje e faço-o sem qualquer reserva, que o inimigo do Leste, a Rússia, foi derrubado e jamais se levantará. Só teremos que dar um simples pontapé para que toda aquela estrutura podre desmorone".
Faltou pouco, realmente, pois a URSS foi tomada de surpresa com a súbita ruptura do então Pacto de Não-Agressão que mantinha com a Alemanha Nazista (Pacto Molotov-Ribbentrop), sendo assim não houve nenhuma declaração formal de guerra, apenas uma inesperada e violenta invasão. Várias cidades soviéticas importantes foram ocupadas pelas forças alemães, que em pouco tempo chegaram às portas de Moscou. Faltou pouquíssimo, mas esse simples pontapé jamais foi dado, e os russos não só resistiram bravamente à agressão nazista, como organizaram uma potente contra-ofensiva que redundou, em maio de 1945, na tomada de Berlim, forçando a capitulação alemã na frente oriental da Guerra na Europa.
Isso sim, uma "virada histórica" dos russos.
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| O soldado do Exército Vermelho Abdoulkhakim Ismailov hasteando a bandeira da URSS na sede do Reichstag (Parlamento Alemão), em Berlim, Abril de 1945. |
*Me refiro à Rússia por ter sido ela a república soviética que dispunha do maior peso em recursos materiais e humanos necessários tanto para a resistência às forças invasoras, quanto para o posterior contra-ataque que resultou na invasão e ocupação da capital alemã, que impôs à Alemanha nazista a rendição incondicional. Sem diminuir, porém, o papel importante das demais repúblicas soviéticas nessa heróica resistência. Além do mais, ressaltaria o fato de que a Rússia é oficialmente reconhecida, pelo direito internacional, como o Estado Sucessor da ex-União Soviética.
sábado, 14 de julho de 2012
"Liberté, Égalité, Fraternité"
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| Fonte: http://tiny.cc/4eqhhw |
Hoje a França comemora 223 anos da Tomada da Bastilha, uma antiga prisão política do regime absolutista francês. Este fato é considerado o estopim de um dos acontecimentos mais marcantes da história da humanidade que, anos mais tarde, seria convencionado pelos historiadores como marco do fim da Idade Moderna e início da Idade Contemporânea, isto é: a Revolução Francesa. A revolução veio a consolidar a ascensão da burguesia perante o absolutismo, já em declínio. A hegemonia burguesa se espalhou pelo mundo inteiro, ajudando a formar o capitalismo moderno que, não demorou muito, mostrou sua incompatibilidade com o lema da revolução que intitula este post. Promover "fraternidade" e "igualdade", para o sistema, passou a ser não uma prioridade, mas um mero efeito colateral da busca alucinada pela maximização do lucro, que é o seu verdadeiro objetivo. Tornou-se até natural, no imaginário do cidadão contemporâneo, pensar que se a igualdade não for alcançada por meio dessa lógica perversa, então "tudo bem, não tem outro jeito". A "igualdade" não é importante, muito menos um princípio fundamental do sistema. O que é importante mesmo é a "liberdade". Mas que "liberdade"? E para quem? Bom, "liberdade" é uma palavra em que cabe interpretações mais vagas, que manipuladas de um jeito adequado podem fazer parecer que a "liberdade" que nos vendem como verdade absoluta trata-se da panaceia do universo, que nos salvará de todas as nossas mazelas. Se manipulada corretamente, ela há de convencer as pessoas de que "igualdade" e "fraternidade", sim, são coisas prescindíveis. Daí, criou-se a figura do "livre-mercado", e sua "liberdade econômica", que é o grande responsável por fazer da "liberdade" e "igualdade" duas palavras dissociadas uma da outra, passando a criar uma liberdade ilimitada para poucos, ilusória para uns e limitadíssima, talvez inexistente, para outros tantos. Conclusão disso: sem "igualdade", a "liberdade" deixa de ser um direito e transforma-se num privilégio. Com isso, o lema revolucionário é solenemente esquecido, por ser impossível dentro do sistema que se ergueu, ironicamente, graças à revolução.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Homenagem à minha querida cidade
Minha cidade, ensinou-me acima de tudo, a amar-lhe com o coração.
Feliz 396 anos.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Fazendo justiça ao Romário
Me preocupa muito ver uma geração de jovens que, após 47 anos de um golpe de estado que lançou o país nas trevas de uma ditadura atroz e sanguinária, ressucitar o mesmo sentimento reacionário que, serviu a direita brasileira, além do "anticomunismo", como justificativa do golpe: "a descrença do povo pela instituições e pela democracia". Deixo uma digressão maior a esse respeito num post futuro, não necessariamente no próximo.
Referente a essa cobertura viciada que a grande imprensa faz dos políticos, o último fato que me chamou a atenção, foi o incidente envolvendo o Deputado Romário (PSB/RJ) que se recusou a fazer o teste do bafômetro. Minha opinião pessoal é que ele deveria ter feito, apesar de a Lei o assegurar o direito de não fazer. Mesmo que tivesse bebido, ele deveria ter feito e assumido isso publicamente. Teria se saído melhor dessa situação. Mas se recusou, na minha opinião errôneamente, e levou lenha da imprensa até o diabo dizer "chega!".
Na contra-mão dessa onda de novelização estúpida que fazem da política, faço aqui justiça ao Deputado Romário, independente do meu juízo a respeito de atitudes pontuais dele e das posições que ele tem, e em quem não votei, nem votaria (por razões ideológicas). Dou essa contribuição por ainda acreditar na política como linguagem, por acreditar que ela pode ser instrumentalizada para a transformação da nossas realidade, para superação dos nossos mais duros desafios enquanto sociedade, e também para mostrar que o que vem à tona sobre um parlamentar, muitas vezes, é tudo menos o que de fato interessa e/ou afeta positivamente a vida população. Solicito aos que me lêem neste momento que olhem a página do Deputado na Câmara Federal, no link "Minhas Informações na Câmara", e avaliem sua atuação. Independente se gostam ou não do Romário, o que não é o mais importante, tirem suas próprias conclusões.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
4 de Julho e Jefferson Airplane*
Num dia como hoje, dia da independência dos EUA, não consigo parar de pensar na música "Volunteers", de Jefferson Airplane, uma banda de Rock Psicodélico do final dos anos 60, originária da cidade de São Francisco. A banda notabilizou-se por canções muito conectadas com o contexto histórico-social da época: guerra fria, ameaça de guerra nuclear, guerra do vietnã, segregação racial, contra-cultura, drogas etc. Ajudou a engrossar o sonoro coro de crítica à guerra do vietnã e a retirada das tropas americanas daquele país, que aos poucos foi dando lugar a um clamor unânime daquela sociedade. A música expressa muito bem os sentimentos e anseios daquela geração ("a primeira geração atômica"), tornando-se um dos seus hinos. Abaixo, posto o vídeo da referida música, em que se mostra imagens que resumem tudo o que eu quis dizer aqui e na sequência a letra.
Volunteers
Jefferson Airplane
Look what's happening out in the streets
Got a revolution, got to revolution
Hey I'm dancing down the streets
Got a revolution, got to revolution
Ain't it amazing all the people I meet
Got a revolution, got to revolution
One generation got old
One generation got soul
This generation got no destination to hold
Pick up the cry
Hey now it's time for you and me
Got a revolution, got to revolution
Come on now we're marching to the sea
Got a revolution, got to revolution
Who will take it from you?
We will and who are we
We are volunteers of America
(3x)
Volunteers of America
(2x)
Got to revolution
Look what's happening out in the streets
Got a revolution, got to revolution
Hey I'm dancing down the streets
Got a revolution, got to revolution
Ain't it amazing all the people I meet
Got a revolution, got to revolution
(3x)
We are volunteers of America
Volunteers of America




