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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Algumas questões para Yoani Sánchez

Yoani Sánchez com alguns ícones da "democracia" brasileira.

Indo um pouco na direção do que foi comentado aqui, também acho que em vez de ficarem fazendo esses protestos inúteis, que só contribuem para o endeusamento da Sra. Yoani Sánchez, sobretudo da forma grosseira como foram feitos, dando mais munição a esse democratismo de goela, cínico e hipócrita, encampado pela grande mídia, creio que uma outra estratégia mais sábia poderia ser adotada, no sentido de questionar essa moça, respeitosamente. Como fez, de forma muito inteligente, Salim Lamranium, naquela entrevista em que ela se contradisse, entre outras coisas, sobre a agressão que supostamente havia sofrido, alguns dias antes, mesmo sem apresentar um arranhão sequer ou qualquer outra prova disso.

Por exemplo, que tal convidá-la a um debate público, pode ser o mesmo o qual sugeriu o blogueiro do link acima, e lá exibir os dois vídeos abaixo (ao fim do texto), para fazê-la refletir um pouco e rever essa sua admiração comovente pela nossa "liberdade de expressão"?


Por que não mostrar as contradições desse nosso modelo de "democracia", que ele defende com tanta veemência? Por exemplo, por que não, educadamente, pedir a opinião dela sobre essas rádios comunitárias, chamadas de "piratas" pelos que detêm o monopólio da comunicação no Brasil, criminalizadas por esses grupos e por essa legislação monstruosa que, conforme é comentado no segundo vídeo, por mais absurdo que isso pareça, prevê aos que mantêm rádios não-regularizadas penas maiores do que "lesão corporal " e "cárcere privado"?

Que tal a blogueira tecer seus comentários a respeito disso? Por que não perguntá-la se ela acha mesmo que essa legislação, apoiada ferrenhamente pela máfia midiática das 11 famílias que controlam a comunicação no Brasil e por frações expressivas da classe política que detêm concessões públicas, é compatível com esse oásis de democracia e liberdade de expressão que ela acredita ser o nosso país?

Por que não perguntá-la se ela acha que esse mesmo país que, conforme apresentado também no segundo vídeo, em 5 anos, através de operações da PF, desmantelou quase 7000 rádios comunitárias, "não-legalizadas", para orgasmos múltiplos dos grandes grupos de comunicação em seus noticiários, pode dar alguma lição a alguém sobre democracia e liberdade de expressão?

Que tal contar a ela a história desses dois deficientes visuais, Roberto e Raimundo, que mantinham uma rádio comunitária, "não-legalizada", coordenada por deficientes visuais como eles, que exercendo o legítimo direito de se expressar e de falar aos seus pares, foram obrigados a fechar a rádio, tendo no desfecho a prisão domiciliar de Roberto por 2 anos? Que tal apresentá-la a esses dois brasileiros que, ao contrário dela, não recebem nenhuma bajulação, audiência, espaço, nos círculos midiáticos tradicionais mas, pelo contrário, são tratados como criminosos?

Aliás, não há nada mais abominável e nauseante do que passar a semana inteira ouvindo, lendo etc esses discursos hipócritas sobre liberdade de expressão, vindo desses grupos midiáticos que só pensam em seus interesses econômicos, engordaram às expensas da ditadura militar e lutam para que essa legislação infame permaneça como está, acusando de censura qualquer tentativa, tímida que seja, de reformá-la.

Outra coisa, para finalizar. Por que não levar a Sra. Yoani Sánchez àqueles lixões onde há famílias inteiras vivendo como ratos e disputando comida com eles, em condições desumanas, absolutamente impensáveis para um cubano, para que ela veja o quão excepcional é a nossa democracia capitalista, com internet rápida e carros modernos?

Abaixo os vídeos:












sábado, 14 de julho de 2012

"‎Liberté, Égalité, Fraternité"

Fonte:  http://tiny.cc/4eqhhw


Hoje a França comemora 223 anos da Tomada da Bastilha, uma antiga prisão política do regime absolutista francês. Este fato é considerado o estopim de um dos acontecimentos mais marcantes da história da humanidade que, anos mais tarde, seria convencionado pelos historiadores como marco do fim da Idade Moderna e início da Idade Contemporânea, isto é: a Revolução Francesa. A revolução veio a consolidar a ascensão da burguesia perante o absolutismo, já em declínio. A hegemonia burguesa se espalhou pelo mundo inteiro, ajudando a formar o capitalismo moderno que, não demorou muito, mostrou sua incompatibilidade com o lema da revolução que intitula este post. Promover "fraternidade" e "igualdade", para o sistema, passou a ser não uma prioridade, mas um mero efeito colateral da busca alucinada pela maximização do lucro, que é o seu verdadeiro objetivo. Tornou-se até natural, no imaginário do cidadão contemporâneo, pensar que se a igualdade não for alcançada por meio dessa lógica perversa, então "tudo bem, não tem outro jeito". A "igualdade" não é importante, muito menos um princípio fundamental do sistema. O que é importante mesmo é a "liberdade". Mas que "liberdade"? E para quem? Bom, "liberdade" é uma palavra em que cabe interpretações mais vagas, que manipuladas de um jeito adequado podem fazer parecer que a "liberdade" que nos vendem como verdade absoluta trata-se da panaceia do universo, que nos salvará de todas as nossas mazelas. Se manipulada corretamente, ela há de convencer as pessoas de que "igualdade" e "fraternidade", sim, são coisas prescindíveis. Daí, criou-se a figura do "livre-mercado", e sua "liberdade econômica", que é o grande responsável por fazer da "liberdade" e "igualdade" duas palavras dissociadas uma da outra, passando a criar uma liberdade ilimitada para poucos, ilusória para uns e limitadíssima, talvez inexistente, para outros tantos. Conclusão disso: sem "igualdade", a "liberdade" deixa de ser um direito e transforma-se num privilégio. Com isso, o lema revolucionário é solenemente esquecido, por ser impossível dentro do sistema que se ergueu, ironicamente, graças à revolução.